Movendo-se para Além do Denominacionalismo

Você já esteve ou está em uma igreja que se dividiu? Eu imagino que isto deva ter sido algo extremamente doloroso. Quando sua igreja deve ser como uma família e de repente ela se divide, isso é semelhante a dor de um divórcio. O que eu tenho aprendido é que normalmente isto acontece nas igrejas por causa de uma coisa: espírito de Denominacionalismo.

A geração de hoje precisa se mover para além do Denominacionalismo, se quiser viver mais a partir da realidade do Reino de Deus e desfrutar mais de relacionamentos saudáveis que geram crescimento e desenvolvimento mútuo.

De forma alguma, quando me refiro a “Denominacionalismo”, a minha “encrenca” não é com a parte “Denominacional” da palavra, mas com o “ismo” da palavra. Não estou de maneira alguma sugerindo que estamos todos nos movendo ou nos afastando da denominação, mas sim do “ismo” associado a ela e daquilo que está por de trás disso. Esse “ismo” é como o que há em socialismo, comunismo, feminismo, machismo. O sufixo “ismo” em movimentos como estes exprimem em si uma certa superioridade em relação ao outrem. O “ismo” também é muitas vezes usado para nomear doenças, como autismo, estrabismo, hipertiroidismo, reumatismo. É claro que nem sempre o sufixo “ismo” traz essas conotações. Por exemplo, hebraísmo não é algo com uma conotação ruim. É apenas um fenômeno linguístico que tem a ver com certas expressões e maneiras peculiares do idioma hebreu que ocorrem em nossas traduções bíblicas. Mas quando me refiro à presença do “ismo” em Denominacionalismo, estou sim colocando no mesmo patamar das doenças, das desordens e de movimentos que exprimem superioridade. Estou colocando no mesmo patamar daquilo que não é bom, daquilo que é muitas vezes ruim ou maligno. Denominacionalismo não é algo bom, e há um espírito maligno associado a isso. Por isso, chamo de espírito de Denominacionalismo.

O problema com o Denominacionalismo é que ele dita a seguinte regra: “Se suas ideias não são como as minhas, então não podemos andar juntos”. Em outras palavras, Denominacionalismo diz: “Nós nos reunimos quando concordamos, e nos dividimos quando discordamos”.

Já percebeu que na palavra “denominações” tem contida nela a palavra “nações? Pode parecer uma análise boba, mas essa ideia traz algumas revelações. Denominações são como espécies de "nações". Mas por conta da presença do espírito de Denominacionalismo, essa influência maligna que muitas vezes há nas denominações, estas têm se tornado como “nações divididas”, o que não condiz com as instruções dadas por nosso Senhor. Somos chamados para discipular nações, não dividir nações. A mola mestra do Denominacionalismo é a religião ou o espírito religioso (que em essência, é maligno). Religião divide as nações, religião causa guerra. Mas o Reino de Deus veio para dar um basta em tudo isso! (leia depois Isaías 2:1-7 e relacione a este tema).

Muitos de nós, como crentes, fomos salvos, crescemos e nos desenvolvemos em ambientes onde havia uma influência desse espírito de Denominacionalismo. E precisamos nos afastar dessa influência se quisermos vivenciar mais as coisas do Reino de Deus. Mas afirmo que isso implica em afastar do Denominacionalismo, não necessariamente da denominação. É preciso agir com sabedoria de Deus nesse processo.

Denominacionalismo diz: “se vamos estar juntos, então precisamos pensar sempre da mesma forma, não há espaço para discordâncias!” No Denominacionalismo, se reduz a “unidade do espírito” para a “unidade do que foi falado e que deve ser concordado sem questionar”. E ainda chamamos isso de unidade de espírito! E muitas vezes, o resultado é que não estamos “fazendo mais igrejas”, estamos apenas “fazendo mais denominações”, geralmente como resultado de divisões. Verdadeira unidade entre os crentes só pode ser possível se nos afastarmos do Denominacionalismo. E é preciso entender que a unidade deve existir em meio à diversidade.

Denominacionalismo não celebra a diversidade. Precisamos aprender a celebrar a diversidade na Igreja enquanto permanecemos firmes em seguir a Jesus.

Diversidade no Corpo de Cristo pode ser comparada a uma orquestra. Assim como existem vários instrumentos musicais em uma orquestra, com vários sons e formatos diferentes, assim é no Corpo de Cristo. E quando nós nos harmonizamos uns com os outros, nós criamos uma bela sinfonia.

O corpo é uma diversidade de órgãos. Cada parte desempenha sua função em prol do todo e o todo opera em função de cada parte. É uma relação de interdependência que mantém o propósito do corpo: a manutenção da vida. O cérebro não fica querendo que todos façam as mesmas coisas ou desempenhem as mesmas funções ou que concorde apenas com “aquilo que o cérebro ditar”. O cérebro é como um grande maestro, regendo as diversas partes do corpo humano para que a sinfonia da vida continue a ser tocada. É assim no corpo humano, deve ser assim no Corpo de Cristo.

Denominacionalismo exige “boa qualificação para ter direito a ocupar uma posição”. Em outras palavras, no Denominacionalismo você é posto em posição de autoridade ou de liderança se você for bem qualificado para isso. E o fato de ter alguém mais qualificado que você, acaba se tornando uma ameaça e um motivo para disputa, porque, afinal, você conseguiu essa posição por ser o mais qualificado e se agora surge outro que parece ser mais qualificado do que você, isso é uma ameaça para a sua posição. Isso, é claro, para aqueles sob influência do Denominacionalismo. Entenda, não sou contra a qualificação. O que quero dizer é que não se deve colocar isso acima de qualquer outra prerrogativa. No Denominacionalismo, você se torna líder porque você tem mais dons, mais habilidade, ou atende mais aos interesses e expectativas “denominacionais”. Ou seja, você se torna líder (ou pastor, ou profeta, ou bispo, ou apóstolo, ou aquilo que você quiser chamar)  por ser mais qualificado. Se você vai a um seminário, um instituto teológico, consegue uma graduação, você pode ser um dos líderes da denominação. Novamente, não estou sendo contra ir a seminários, institutos ou aquilo que te oferece mais ensino, capacitação e treinamento. Meu ponto aqui é o de não querer colocar isso acima até mesmo do chamado de Deus para a vida de alguém.

Paulo disse que ele foi chamado por Deus, não por homens! Isso quer dizer que ele foi chamado por Deus para a função de apóstolo, não posto lá por mãos de homens! Eu entendo sobre o processo de ordenação de alguém a determinada função, cargo, posição ou como você quiser chamar. Mas eu também entendo que o chamado para um ministério não é resultado de um título, mas muito mais do que isso é o resultado do chamado de Deus. Este chamado é reconhecido como vindo do Deus vivo e verdadeiro. E é um privilégio para nós enquanto homens e, especificamente, supervisores e líderes na igreja de Jesus Cristo, confirmar a ordenação de Deus quando esta é tão obviamente colocada sobre a vida de alguém. Só que entenda, se eu tenho chamado para uma posição, para liderança, isso significa que eu não preciso ser a pessoa mais dotada do mundo ou a mais qualificada, porque eu não obtive essa posição porque eu merecia, e sim, eu obtive porque fui chamado para isso.

A estrutura de Denominacionalismo, na verdade, trabalha para “diminuir as pessoas” ao invés de fazê-las crescer, se desenvolver e avançar. Por que é um desafio quando pessoas experimentam mais da realidade do Reino, voltam para suas denominações anteriores e sentem dificuldade de se adaptar ou se encaixar? Por causa da estrutura de Denominacionalismo. Se não houver uma mudança nas estruturas, as denominações estão fadadas a ou perder verdadeiros agentes do Reino, ou “mata-los” por tentar diminuí-los por não pensarem mais conforme a estrutura do Denominacionalismo.

Esse espírito de Denominacionalismo não trabalha somente dentro da igreja. Quando discordamos, nós não apenas nos dividimos no meio dos cristãos, mas também com pessoas que não conhecem o Senhor ainda. E sob a influência desse espírito de Denominacionalismo, nosso objetivo nos relacionamentos é provar que estamos sempre certo. Para o Denominacionalismo, é mais importante estar certo do que estar junto.

Deixa eu te dar um exemplo. Se eu tenho uma amizade ou um relacionamento com um homossexual, alguém cujo o estilo de vida provavelmente eu, como cristão, não concordo, sob a influência do Denominacionalismo, o meu objetivo nesse relacionamento será o de fazer de tudo para “converter essa pessoa”. E sabe a que isso se assemelha? Se assemelha a um vendedor que trabalha por comissão e tem uma meta para cumprir. O objetivo dele é vender o máximo possível para ganhar mais comissão! Consegue captar o que eu quero dizer? Isso é Denominacionalismo!

Denominacionalismo me faz ver o mundo através das “lentes do Denominacionalismo”. E essas lentes, me fazem ver e sentir que eu só posso ter relacionamentos profundos com pessoas com as quais eu concordo e com pessoas que concordam comigo. E quando eu não concordo, eu tenho duas escolhas: ou eu rompo com o relacionamento, ou eu desenvolvo uma estratégia para tentar converter a pessoa para o meu modo de pensar que, claro, na minha cabeça denominacionalista, é o “modo de pensar de Deus”. E como o fim justificam os meios, sob a influência do Denominacionalismo, eu acabo operando sob um espírito de manipulação para conseguir o que eu quero nos relacionamentos.

É impressionante como as pessoas tem usado feitiçaria para conseguir trazer as pessoas para Cristo! E falam mal de outras religiões dizendo que eles que serão condenados por praticar feitiçaria, quando na verdade nem se dão conta que estão usando de recursos similares para conseguirem o que querem. Gosto da definição que o pastor Marcos de Souza Borges (Coty) dá para feitiçaria: “Feitiçaria é, basicamente, a tentativa de controlar outros pela manipulação humana ou por fontes e meios espiritualmente reprováveis”. Em seu livro “Cura e Edificação do Líder”, Pr. Coty diz: “Qualquer tentativa de controlar a vida de um outro ser humano é feitiçaria. Esse é o conceito de domínio que não devemos exercer. É satânico e só vai trazer perdas e destruição. Deus chama isso de rebelião. (...) A verdadeira rebelião não é a tentativa de resistir o controle de alguém, mas é a tentativa de controlar outro ser humano! Ou seja, o líder que ao invés de inspirar, quer controlar o seu povo, é um feiticeiro. Qualquer líder que controla as pessoas está em rebelião contra Deus” (confira 1 Samuel 15:23). Onde há Denominacionalismo, há uma cultura de controle, manipulação e rebelião. E o pior é que as pessoas que fazem isso não sabem que estão fazendo. É como mau hálito: a pessoa não sabe que tem até que alguém chegue a ela para dizer. Espero aqui poder estar expondo esse “mau hálito” que precisa ser tratado em boa parte da Igreja hoje em dia.

Em Denominacionalismo, nós muitas vezes “demonizamos” pessoas com as quais não concordamos, estejam elas no meio cristão ou não. Demonizamos irmãos em Cristo, líderes, autoridades governamentais, só por não concordarmos com eles. Mas isso não é algo que vem de hoje. Os fariseus, por exemplo, não concordavam com Jesus. E o que eles faziam? E eles diziam que Jesus operava por demônios. Vemos neles a influência do espírito de denominacionalismo. Isso porque Denominacionalismo nos leva a discordar não apenas da opinião da pessoa, mas discordar da própria pessoa.

No Denominacionalismo tem muito a questão de “eu não vou muito com a sua cara” sem nem dar a oportunidade de conhecer a pessoa. “Eu não fui com a cara de fulano ou ciclano” sem nem ter tido a oportunidade de se relacionar melhor com a pessoa é algo comum quando se está sob influência do espírito de Denominacionalismo.

Quando as pessoas decidem a “não gostar de alguém”, começam a focar no que essa pessoa faz de errado, e se por acaso essa pessoa faz alguma coisa certa, dizem que é com base na prioridade errada, motivação errada, ou que não deveria ter sido feito isso ou aquilo. Denominacionalismo “embaça as lentes” pelas quais vemos as pessoas. Eu sou da opinião de que, se você não concorda, se levante e fale com a pessoa pessoalmente, mas não demonize ela! Porque, sabe o que vai acabar acontecendo? Deus vai acabar se colocando entre você e a pessoa para poder proteger a pessoa de você! E isso mesmo! Eu realmente disse isso: Deus vai acabar protegendo aquela pessoa que você está querendo demonizar. Afinal, não foi Jesus quem disse: ame os seus inimigos, ore por aqueles que te perseguem? Então, não há desculpas.

E qual a solução? A resposta de Deus para resolver o Denominacionalismo é bem simples: uma família! E encontramos isso dentro do mover apostólico. Claro, dentro do apostólico verdadeiro e genuíno, porque hoje em dia há muito apostólico que está operando mais sob influência do Denominacionalismo do que do Reino de Deus.

A geração que tem expandido o Reino e gerado avivamento que se sustenta e transforma é aquela que tem se movido do Denominacionalismo para o Apostolado, e isso implica em se mover do modelo tradicional de relacionamento para uma mais similar a uma família.

Estamos nos movendo para um modelo mais do tipo “família”, em que nos reunimos em torno de “pais e de mães”. E dizemos: “aquele ali é o meu pai, ele tem a voz que eu, como ovelha, ouço e quero seguir. Aquela ali é a minha família. E eu sei que eu posso discordar, e ainda assim estar ligado e aliançado a esta família”. Toda família tem aquele tio ou tia meio “maluquinho”, algum parente “meio sem noção”, não é verdade? Temos discordâncias em nossas famílias. Mas com tudo isso, a família não se dissolve! Os laços sanguíneos são mais fortes! E viver o princípio de família em nossos relacionamentos é a vacina eficaz contra a doença do Denominacionalismo.

Se a igreja não é como uma família, você pode sonhar com o que vai acontecer, mas não vai acontecer! Em nossa geração, se quisermos experimentar mais da realidade do Reino de Deus e se quisermos ver a Igreja de Jesus se tornando aquilo que ela realmente foi chamada para ser, de acordo com o propósito para ela estabelecido, e se quisermos desfrutar de vida e bênção fluindo através dos relacionamentos baseadod em amor e aliança, precisamos aprender a nos mover para além do Denominacionalismo, nos afastando disso para viver os relacionamentos como família. Afinal, o Governo do Céu tem tudo a ver com relacionamentos e família!

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