Da Prisão ao Palácio

Três coisas fazem tremer a terra e quatro ela não pode suportar: o escravo que se torna rei, o insensato farto de comida.” (Provérbios 30:21,22)

Este trecho de provérbios diz que a terra não pode suportar o escravo que se torna rei. O sentido de escravo aqui está associado à ideia de mendigo ou alguém muito pobre. Você sabe por que a terra não suporta a condição de um escravo quando ele se torna rei?

O escravo nasce em meio a insignificância. À medida que ele cresce, ele aprende através da vida que ele não tem valor e suas opiniões não importam realmente. Daí, quando ele se torna rei, ele se torna importante para o mundo ao redor dele, mas ele continua se sentindo insignificante no "reino" que está mentindo dentro dele. Depois disso, ele não vigia as suas palavras ou o modo como ele se comporta. E, por fim, ele destrói as mesmas pessoas que ele chamou para liderar quando se tornou rei. Essa é a realidade de muitos líderes hoje em dia.

Grande parte das pessoas que hoje ocupam posição de liderança, não foram criadas com a ideia de que eram pessoas significantes, valiosas. A criação de alguém determina muito o tipo de mentalidade que a pessoa vai desenvolver.

Aqueles que crescem em meio a desaprovação, violência, abusos, aqueles que não possuem boas referências de pai e mãe, que não receberam o amor fundamental, que foram abandonados, e coisas do tipo, nessas pessoas é impresso um senso de insignificância, e elas desenvolvem uma mentalidade de escravo, uma mentalidade "pobre" (não somente no sentido de condições financeiras, mas em todos os aspectos). Nessas pessoas são impressas mentiras do tipo "Você pensa que sabe das coisas, mas não sabe!", "Sua opinião não é importante!", "Não me interessa o que você faz, não dou a mínima pra você!", "Você é um inútil", "Você nunca vai dar nada que presta". O resultado dessas mentiras é que essas pessoas acabam desenvolvendo padrões de comportamento para protegerem a si mesmas em um mundo hostil. É onde desenvolvemos mecanismos de defesa como manipulação, crítica, senso de humor sarcástico, dentre outros.

Pessoas assim precisam passar por um processo de renovação da mente, os pensamentos precisam mudar, senão, ao se tornar "rei", ou seja, um líder, poderá destruir aqueles que estão ao seu redor. Um espírito de pobreza (volto a dizer, não no sentido financeiro, mas no sentido de sentir-se insignificante) normalmente leva um escravo a desenvolver uma mentalidade de sobrevivência. Elas fazem de tudo pra tentar sobreviver, mesmo que custe o bem-estar de outros. Pessoas assim sempre sentem que seus recursos são limitados. Eles acreditam que quando alguém recebe algo, está levando embora alguma parte da provisão que caberia a eles. Eles acreditam que quando alguém é abençoado, isso custa algo a ele. Por isso, uma pessoa assim vive dizendo "Por que fulano recebeu isso e aquilo e eu não?", "Por que as pessoas são abençoadas e eu não?". Além disso, essa pessoa vive competindo com os outros, querendo ser o melhor, e faz de tudo, mesmo que de maneira subconsciente, para tentar abater a autoestima das pessoas ao seu redor e fazer com que elas se sintam insignificantes perto dela, pois essa é a maneira que o "escravo" com mentalidade pobre encontra para tentar se sentir melhor em relação a si mesmo. E não basta ser "salvo em Cristo" e achar que tudo vai mudar de repente... é preciso tomar a decisão de renovar a mente de forma persistente e insistente para poder experimentar transformação.

Somente através da revelação de nossa verdadeira identidade, aquela que o Céu declara ao nosso respeito, e de subsequente mudança de pensamento é que há a possibilidade de destruir o espírito de pobreza e escravidão em nossas vidas. Até que isso aconteça, nós iremos continuar pensando que existe limites naquilo que iremos obter. Como resultado, sentimos inveja quando alguém recebe alguma coisa que nós não temos. Isso atinge cada aspecto de nossas vidas, incluindo trabalho, amigos e posições, seja no trabalho ou dentro da igreja.

Quando estivermos vivendo dentro da realidade de nossa verdadeira realidade, poderemos, como José, um dos filhos de Israel, dar passos para fora da prisão para ir em direção ao palácio do Rei, encontrando o caminho para a realeza!

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