O Bebê Chora o que a Mãe se Cala

Você, por acaso, já ouviu essa expressão “o bebê chora o que a mãe cala”? Sabe o que ela significa?

Pois bem, hoje quero trazer um pouco sobre esse assunto...

Vamos imaginar a seguinte cena: uma mãe acabou de ter seu bebê, ele é lindo e saudável, tem tudo o que precisa: uma mãe sempre disponível, peito sendo oferecido sempre que o bebê pede, muito colo, sling e banhos de ofurô para lembrar o ambiente uterino, playlist com músicas calmas ou com som de útero e ainda assim o bebê só chora!

Você já procurou saber se tem algo que o incomoda, etiquetas de roupa, calor, frio, tudo já se passou pela sua cabeça e nada faz o bebê se acalmar, isso te preocupa e mais do que depressa você marca uma consulta com o pediatra e, talvez, após essa visita volta pra casa com um remédio para cólica e outro para refluxo... Mas mesmo assim não resolve muito. O que fazer então?

(Antes de continuar esse texto, quero deixar claro que é importante sim levar nossos filhos a um pediatra de nossa confiança quando percebemos que algo não anda bem, ok?)

Diante desse quadro quero falar sobre a fusão emocional do bebê com sua mãe. Quando o bebê nasce ele se separa fisicamente de sua mãe, seu organismo passa a funcionar de forma independente, aprendendo a ajustar seus próprios mecanismos de respiração, digestão e regulação da temperatura, por exemplo. Existe, de fato, a separação física, entretanto o bebê continua ligado à sua mãe – às suas emoções para ser mais clara.

Pelo fato do recém-nascido não ter começado a desenvolver o seu intelecto, ele ainda conserva suas capacidades intuitivas, e, estas, estão absolutamente conectadas com a alma da mãe. Damos a isso o nome de fusão emocional, é como que se, para o bebê “ser”, ele precisa estar fundido com alguém, no caso a sua mãe ou sua figura-materna.

Por esse motivo o bebê sente como se fossem seus todos os sentimentos da mãe. Tudo aquilo que a preocupa, os sentimentos guardados que pertencem ao passado, todo o seu cansaço e noites mal dormidas, a falta de apoio e de cumplicidade dentro de casa, o medo de não ser uma boa mãe e de falhar em algum momento, a sua solidão, tudo isso será sentido pelo bebê e ele expressará, em seu corpo físico, as emoções que ele sente em sua fusão emocional com a sua mãe.

Então quando um bebê adoece constantemente, chora desmedidamente ou se altera, precisamos enxergar o plano físico, atender as suas necessidades básicas (como amamentar, ninar, ver se algo o incomoda) e ir além, buscar entender o contexto emocional que sua mãe está vivenciando.

O que essa mãe tem sentido? Como ela tem lidado com as suas emoções? Como foi a experiência do parto pra ela? Como está sendo a sua maternagem? Existem situações do passado que estão vindo à tona durante o puerpério? Vivemos em uma sociedade que critica uma mãe que chora no puerpério, não permitimos que ela se abra, mandamos logo um “por que você está chorando? Seu bebê é perfeito e saudável” e nos esquecemos que essa mulher está se redescobrindo, pois (re)nasceu junto com seu filho e vive agora o momento mais oportuno para enfrentar a sua própria sombra, já que seu bebê é como um espelho puro e cristalino da alma de sua mãe.

Por isso, se o seu filho chora, não o rotule, mas olhe para você mesma... O que você não tem chorado? O que você tem calado? Aonde dói e gera desconforto em você mesma? Pois à medida que a mulher faz esse movimento de olhar para dentro de si, quando ela passa a se questionar, investigar suas emoções e se observar ela libera o seu filho de manifestar as emoções maternas. E essa é uma fase que não precisa ser passada sozinha, busque por apoio, ou um acompanhamento profissional, se preciso for, para te ajudar a lidar com sua sombra. Peça colo, se permita ser abraçada e maternada enquanto você materna o seu bebê!

Mayumi Soares.

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